Sep 13, 2007

Cervantes Joca Faria Neste ultimo sábado vi o Cavaleiro de Triste Figura emergir das paginas que Cervantes escreveu para o mundo real. Primeiro algumas noivas.Ficamos perdidos não sabíamos o que acontecia. Depois uma noiva desce numa tirolesa...Seguimos há. Eis que do prédio desce uma figura louca a gritar por uma corda fiquei estranhando ,mas sabia o que ele falava não me era estranho derrepente descubro que estou diante do nobre Cavaleiro Dom Quixote entrei em Êxtase ... Vindo a grande admiração que tenho por este personagem que agora rasgou o tempo e vivo está em nosso século vinte e um... Comecei como outras pessoas atônitas a seguir pelas ruas da cidade este louco profeta...Perdido em seus devaneios. Quando inesperadamente um catador de papel como a questioná-lo e ele envolve esta pessoa que se torna nada mais nada menos que Sancho Pança ... Que Dom Quixote prometeu-lhe uma ilha uma bela ilha...E assim começou esta aventura ou desventura agora em nosso tempo...Brigas de espada...Mas uma hora ele chamou-me para ser o Rei que lhe sagrava Cavaleiro e assim como mais um ex-discípulos de Solfidone o sagrei em plena Rua Sete de Setembro cavaleiro da agonia amorosa que clamava por Dulcineia... Lindas doze mulheres passaram de vestidos de noivas perto de nos e o Cavaleiro saiu a correr a correr a correr. Atrás de sua bela amada...Ficávamos todos atônitos...Como as músicas eletrônicas que penetram em nossos ouvidos de uma maneiraaa estranha...O cavaleiro andou pela cidade...Sempre pela cidade vivendo aventuras e mais aventuras...Quando foi rapitado por policiais assim encerrando sua santíssima saga...Eu fiquei com sua espada esquecida pelos policiais e caminho só tentando reencontrá-lo...Este louco...Quem sou? Quem és...A onde vivemos....Sou batidas de musica eletrônicas...Viradas de discos um rap numa esquina qualquer... Cervantes João Carlos Faria www.cidadedaspalavras.com.br Estaremos nas 22 horas ininterruptas de teatro No cine Santana . FESTIVALE Fundação Cultural Cassiano Ricardo Dia 16 Domingo às 6 horas da manhã Com Café com Palavras Com Joca Faria, leó Mandí, Marcelo Planchez....Elizabete Souza ...Daniella Penellupi...Reginaldo Poeta Gomes..... .... ..... .....

Sep 12, 2007

O TARÓLOGO E O ALQUIMISTA Giancarlo Kind Schmid A relação do tarot com a alquimia é largamente discutida em listas, congressos e palestras. Não é para menos: as alegorias que se apresentam em muitas pranchas alquímicas possuem uma sensível simetria simbólica com as lâminas do tarot. E podemos até concluir que ambas foram criadas para falar ao nosso inconsciente, como uma exposição arquetípica distante da linguagem convencional. Entender o tarot é um trabalho desafiador. Mais ainda são as obras alquímicas. Alguns defendem a idéia de que os alquimistas desenvolviam, realmente, experiências químicas para obter resultados físicos; outros acreditam que se tratava de uma metáfora, que a opus (obra alquímica) era puramente interior. Apesar de não descartar a primeira hipótese, sinto que a segunda proposta faz mais sentido, pois era comum durante a Idade Média ilustrar a essência humana de forma figurada. O tarot surgiu repentinamente na Europa, durante o final do século XIV, sem deixar vestígios concretos de sua origem. Utilizado ludicamente pelos nobres, tornou-se uma "febre" nos 3 séculos seguintes, disseminando- se por países como Itália, França e Espanha, principais fabricantes do baralho nessas épocas. O custo de fabricação de um baralho era muito alto, uma vez que tudo era feito manualmente (em folhas de ouro, por exemplo), sem os recursos tecnológicos da famosa imprensa. Logo, cada pacote de cartas ficava restrito a uma elite, usado como forma de pagamento de tributos, como presente real ou para entretenimento dos nobres. Até o clero conhecia a fama do baralho, mas não havia interferência direta da igreja na utilização do mesmo; volta e meia, algum rei baixava um decreto que proibia o uso das cartas, mas sem sucesso aparente. Se fizermos um paralelo entre a época do aparecimento do tarot na Europa e a propagação das pranchas alquímicas, veremos que há uma correspondência entre as duas. É sabido também que muitos alquimistas famosos (como Nicholas Flamel, Paracelso, Robert Fludd, Cagliostro, Rober Bacon, dentre outros) mantinham estreita relação com os nobres de suas épocas, os mesmos que podiam ter acesso ao baralho. Também há uma grande "sincronicidade simbólica" entre as duas áreas, particularmente se analisarmos os baralhos clássicos (como o Visconti Sforza, por exemplo) e as pranchas do século XV. Em ambas, o estilo artístico é parecido, em suas cores e traços, além de apresentarem símbolos análogos como o rei, a rainha, o sol, a lua, estrelas, leão, anjo, esqueleto, demônio, dentre outros detalhes que valem a pena ser pesquisados e analisados. Na alquimia, existem 3 estágios: nigredo, albedo e rubedo, divididos em 7 operações fundamentais, que representam a opus magnum: calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, mortificatio, separatio, coniunctio. Notemos que o tarot é formado por 3 grupos de 7 lâminas mais o arcano 0 ou 22, denominado Louco ou Bobo (o fole do alquimista). Cada estágio, representa um estado da matéria no processo da transmutação para conquista do ouro filosofal. Podemos, arquetipicamente falando, até arriscar uma analogia entre os estágios e operações alquímicas, e algumas lâminas do tarot, através da simbologia encontrada em cada uma delas: (1) Calcinatio - essa é a operação primária comumente encontrada na maioria das listas de operações alquímicas. A calcinação é um processo químico que consiste em retirar água de um sólido, através de um intenso aquecimento. Logo, o elemento diretamente responsável é o fogo. O controle do fogo em relação à matéria é o primeiro passo para o alquimista ser bem sucedido em sua opus. Na simbologia do tarot, o arcano "A Força" tem estreita relação com esse estágio, já que o leão é um símbolo ígneo e o homem que o controla (baralho clássico de Sforza) é análogo ao alquimista, que controla a fera. (2) Solutio - é um dos principais procedimentos da alquimia. A proposta é transformar um sólido num líquido. O sólido pode desaparecer no solvente, como se tivesse sido engolido. Para o alquimista, a solutio significava, com freqüência, o retorno da matéria diferenciada ao seu estado indiferenciado original, isto é, à prima matéria. Nesse caso, o Arcano que tem correspondência é "A Lua", que tem estreita relação com o elemento água, bem o mergulho dentro de si mesmo. (3) Coagulatio - refere-se, em primeiro lugar, à experiência no laboratório. É o processo de resfriamento, que leva um líquido a se solidificar. Um sólido dissolvido num solvente reaparece quando o solvente é evaporado. O elemento envolvido é a terra. Analogamente, o arcano "O Imperador" vem representar a cristalização, materialização, o plano concreto. (4) Sublimatio - é o processo de transformação da matéria em ar, por meio de sua elevação e volatização. O elemento aqui envolvido é o ar. O termo "sublimação" vem do latim sublimis, que significa "elevado". Isso indica que a substância se sutiliza a partir de um movimento ascendente. O arcano que podemos corresponder é o "Pendurado" que nos reporta à sutilização da matéria pelo espírito. (5) Mortificatio / Putrefactio - essa operação marca o estágio nigredo, quando há um escurecimento da matéria. Não há nenhuma referência química quanto a essa operação que, literalmente, é a "morte" da matéria. A putrefactio (estado pertinente a essa operação), é a decomposição que destrói corpos orgânicos mortos. O interessante é que os alquimistas também faziam experiências com material orgânico. O arcano "A Morte" está relacionado diretamente a essa operação. (6) Separatio - basicamente é a separação dos elementos, a destilação ou extração da substância. Essa é uma operação decisiva para atingir a conclusão da opus alquímica. O impacto do processo é necessário para melhor aproveitamento da substância pura. Nesse caso, o arcano envolvido é "A Torre", que significa a quebra das estruturas para estabelecimento de uma nova ordem. (7) Coniunctio - é o ponto culminante da opus. É o encontro (casamento) de substâncias opostas para se atingir a fusão ideal para coroação do trabalho alquímico. Há uma coniunctio inferior e outra superior. Enquanto a primeira trata da união de substâncias que ainda não se encontram completamente separadas ou discriminadas, a segunda trata da realização final, a conquista suprema da opus. Na verdade, os dois processos não são distintos entre si. Os arcanos envolvidos são "Os Enamorados" para a coniunctio inferior (o casamento dos opostos) e "O Mundo" para a coniunctio superior (a perfeita integração das substâncias). Esse é apenas um exemplo puramente ilustrativo como referência aos dois temas. Podemos ainda, considerar a lâmina "O Mago" como o alquimista em seu próprio laboratório, enquanto "A Temperança" é a própria representação da Alquimia (Aleister Crowley, famoso magista do início do século XX, produziu junto à desenhista Lady Frieda Harris o Toth Tarot, onde ilustra o arcano XIV "A Temperança" com o nome de Arte, a Alquimia). No baralho de Wirth, vemos o arcano "O Diabo" com a famosa frase alquímica desenhada em seus braços: "Solve et Coagula" ("dissolve e solidifica"), uma referência à Opus Alquímica. A busca do alquimista é pelo "Ouro e pela Pedra Filosofal", assim como a busca do tarólogo é pela Consciência e Sabedoria Interior. Ambos estão seguindo a mesma via: a transcendência pelo mundo simbólico. Ambos trabalham diretamente com o inconsciente e se valem do "laboratório pessoal" para atingir com sucesso a opus.
Jung se inspirou muito em Nietzsche... . "Com que lanterna seria preciso, aqui, procurar por homens que fossem capazes de um mergulho interior e de um abandono puro ao gênio e tivessem a coragem e força suficientes para invocar demônios que fugiram de nosso tempo!" NIETZSCHE, F.W. "Considerações extemporâneas 1873-1874" In: Obras incompletas.Seleção de textos de Gérard Lebrun; tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres Filho; posfácio de Antonio Candido. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os pensadores) __._,_.___

Sep 7, 2007

entrevista

Entrevista: Wagner "A Bruxaria não deve desculpas por envolver magia sexual. São as outras religiões que devem desculpas pela miséria da repressão puritana que impingiram à humanidade". Emilia Ract (*) Quando e como foi que você descobriu que tinha inclinações para arte? - Bem, sentia a necessidade de me expressar artísticamente desde a infância, mas em 1996 que botei a mão na massa mesmo, já modelando trabalhos para decorar meu ambiente, uma vez que eu não encontrava os artefatos que queria para o mesmo. A idéia de integrar outros materiais a arte também veio de forma bem natural, experimentalismo puro, o que acabou se tornando meu forte. Porque exatamente arte com ossos? - Não foi proposital, no início apenas o crânio era utilizado, mas depois comecei a experimentar com os outros da estrutura óssea, o resultado foi muito interessante, e venho ainda criando variações com ossos até hoje, de forma cada vez mais ácida. Vejo uma beleza bem particular nos ossos, conhecer as variações de cada animal, idéias fluem de formas diferentes, as possibilidades que encontro em trabalhar com eles é bem vasta. Quais são as inspirações ao desenvolver uma escultura? - Atualmente meu senso crítico está tinindo diante a tanta coisa que vem acontecendo no Brasil e no mundo, nada mais justo me inspirar nisso tudo e criticar sem medo de retaliação, afinal, tenho que fazer a minha parte já que estou transmitindo algo com minha arte, é uma exteriorização crítica. Mas também me inspiram meus estudos pessoais nos mais variados dentro do ocultismo e para-ciências, arquitetura antiga, medos humanos, que é o sentimento mais real que conheço, cinema e música me ajudam muito também. Como você vê a reação das pessoas sobre seu trabalho? – Sinceramente, as positivistas são boas para o ego e tal, mas as que provocam e irritam as pessoas são as que mais aprecio, isso mostra que consegui tocar na ferida de alguma forma. Sua arte é apenas estética ou possui um fundamento ritualístico? - Vai de quem a adquirir a obra, eu carrego minhas energias nelas de uma forma, mas o proprietário final é que dita sua finalidade. Eu particularmente utilizo-a das duas formas, estético para meu ambiente e ‘’ritualista’’ para meus momentos de introspecção. Você se considera um anti-cristo? - Totalmente, e anti tudo que ajuda a afundar esse mundo em hipocrisia e conceitos financeiro/religioso falido. Se religião fosse positiva, com tantas que já existe em nosso mundo atual, era pra ser um lugar bem melhor que hoje, mas está visível que a tendência tem sido só piorar. Eu poderia citar muitos exemplos para justificar minha posição, mas não se faz necessário, só basta um pouco de visão do leitor antes de me questionar de forma mais dura por culpa disso. Você sofre muitos preconceitos com sua arte? - Imagino que principalmente dos meios artísticos convencionais, uma vez que não vou tanto atrás mais de exposição coletiva ou algum apoio, não faço parte da estética tradicional, isso me deixa de fora do circuito artístico vigente... tudo bem... faço da minha forma, chegarei apenas até onde minhas pernas me levar. O que você gostaria de dizer a estas pessoas? - Agradeço o ‘’apoio’’, a indiferença dos senhores à minha obra é o que me fortalece. Qual obra te deu mais trabalho? Do que se tratava? - Nenhuma especificamente, todas foram desafiantes no momento de criação, uma vez que são criações, elas fluíram em sua natureza. Claro que peguei pedreiras pelo caminho, sempre desafiado, mas nada até o momento que não pude fazer até o momento. Como você adquire os ossos com os quais realiza suas obras? - Semanalmente em busca na natureza, apenas dessa forma, não abato animal para trabalhar como muitos pensam, vou juntando tudo que possa se integrar ao meu trabalho, é um passeio interessante... gostaria de contar um sonho que tive...estava em um lugar com uma paisagem pra lá de surreal, colhendo coisas interessantíssimas para trabalhar, não consegui definir o que era, mas umas espécie de criatura mantídea sentada em um cogumelo ria de mim dizendo que eu não conseguiria levar tudo aquilo e que eu estava para acordar...realmente...acordei com uma frustração tremenda por estar de mãos vazias, mas muita coisa veio surgindo aos poucos a memória. Espero em vida reproduzir um terço pelo menos do que vi neste sonho. Fale um pouco sobre você. Defina a si e sua arte. - Eu sou uma pessoa que tem suas frustrações e anseios como todas as outras ...talvez um pouco mais ou um pouco menos, mas me dedico de corpo e ‘’alma’’ao que faço, atravesso os mais variados obstáculos, que deixam suas cicatrizes profundas, mas o faço...me aprofundar em minha mente é a viagem mais interessante que já fiz... e posso dizer que pouco conheci até o momento, sinto que as pessoas tem dificuldades em aceitar meu modo de ser e agir, mas tenho que fazer doa a quem doer, é minha natureza que está em jogo... Minha arte é a expressão da minha vida, do meu universo. Sem ela não tenho idéia como eu seria, mas posso garantir que menos feliz com certeza ...ela é a âncora da minha lucidez...sem ela, estaria em águas perigosas, turbulentas...bom, na verdade pensando melhor já estou hehe Agradeço imensamente o espaço concedido, espero ter passado informação suficiente aos que gostariam de conhecer melhor sobre minha arte, mas para maiores informações, deixo meu contato e site com link´s para vários outros sites em que me expresso: wdrart@hotmail.com - www.artlab.cjb.net