Aug 21, 2006

ENSÁIO SOBRE O TEMPOPARA ARTUR RODRIGUES MARTINSO tempoEu no tempoTempo em mimO coração relógioarrasta os ponteirosinventandonoite e diasVivo dentro e fora do tempoMoro e não moro no relógioporque tenho e não tenho que cumpriros ditames ultra capitaisMeu corpo ( ontem ),desenho enterradona pedraMeu corpo ( hoje),largadonas estampasO talhe do rosto do homemvibrandoem quadrosque o tempo tratou de gravarsob os anéis das horasDiante da medida da sombrados planetas,plantado no subsolo das lembrançasda velhice e da infânciavolto ao homem,ao beijo,ao inchaço que atormentou meus pésUm olho em 1900,o outro em 6000 e sei láMorrendo nascendo ( muitas vezes )Conto os inúmeros crâniosque tive para guardar os pensaresAcho que estou no presente no futuro,acho que estou...Molas digitaisEngrenagens de cera líquidaPonteiros cobertos de terra pretaAntônio Eduardo Planchez de Carvalho,o sibilar das asas côncavas da moscacaminhava no magmaantes mesmo da intensa chuva de meteoritosMinha ciência conhece o nascedouro desse sistemaEu viajante do tempocrescendo entre os vagões,locomotiva de músculos e ossosem linha sinuosa reta EDU PLANCHEZ 20-08-2006- Rio de Janeiro

Aug 14, 2006

Cultura ou BarbárieBombas explodem no Oriente Médio e os computadores continuam ligados na internet. Joca Faria (*) Somos ainda a locomotiva do Brasil numa época em que os trens foram deixados de lado? “A cultura é fonte de transformação” Diz Marcola, o líder do PCC - Primeiro Comando da Capital. Que pena uma cabeça tão inteligente sendo usada para o mal. Mas o que esperar de alguém engaiolado, enfrentando o sistema prisional brasileiro, verdadeira fábrica de feras, alimentadas pelo ódio e a indiferença e que jamais serão recuperadas, definitivamente feras raivosas. E você leitor também tem sua parcela de culpa nisso tudo. Principalmente você consumidor de drogas que não tá nem aí. O ódio e a violência nas carceragens é maior do que qualquer coisa, do que o amor e a amizade. No Estado de São Paulo mais de 140 mil pessoas convivem nesse ambiente macabro. Só um investimento maior na educação e na cultura impedirá o surgimento de novos guerrilheiros como o Marcola. De nada adianta construir presídios, o importante são as escolas. Outrossim, com os políticos vagabundos que temos será muito difícil, mas não podemos desistir do trabalho coletivo. Ainda que alguns pilantras tomem conta da nossa Fundação Cultural que deveria servir à população e não o faz. Serve somente para dar boa vida aos pilantras nomeados pelo prefeito por indicação dos vereadores ladrões e pederastas. Cadê a Fundação Cultural Cassiano Ricardo para montar uma editora que cuide e imprima as obras dos escritores joseenses. Duvido que façam. Estão somente interessados em levar algum por fora. Como disse o professor José Moraes: “Ratos e Lacaios infestam a Fundação Cultural” – E continua, o que é pior, sob as vistas grossas que já virou catarata da “professora” Varotto. Queremos a Fundação funcionando, produzindo um grande debate de idéias que gere a ação cultural que o povo espera, num Estado mais forte a serviço da população.

Aug 7, 2006

Liberdade * Azf Casablanca Só se é livre pra consumirComprar em nome do deus da felicidadeGozar o indispensávelPela eternidade de uma semanaAté que a próxima novidade imprescindívelSeja oferecida como dádivaÚnicaMilagre à prestaçõesQue a gente não sabe muito pra que serveSe é que serveMas que saciaPequenas mentiras diáriasPara suportar a mentira maiorQue a gente aceitaPor nunca ter nada a dizerPorque é mais fácilLevar porrada longe da platéiaPorque é mais fácilIgnorar a verdadeDe que não se faz faltaDe que se é só um produtoCom prazo de validade vencidoQue logo vai ser descartadoPra que outros descartáveisVenham engordar o gadoVermes invejando lagartasQue nunca viram borboletas

Aug 4, 2006

Vermes Não há palavra, ato ou vontadeQue comova o verme O verme não se engaja em nadaEstá sempre em sua sanha desenfreadaPelo podre, morto, perverso Mal vê, ao seu ladoOutros vermes Igualmente solitários Numa multidão de vermesDevorando tudo à qualquer preço Até que não sobre nadaAlém de ossos E fimSem saudadesDe sua jornada AZF Casablanca