Jul 31, 2006

Projeto Cidade das Palavras Cidade das palavras é um projeto literário que nasceu há quatro anos apartir da idéia de se utilizar um novo suporte para a palavra falada eescrita neste novo milênio. Foi quando contatamos poetas do Vale doParaíba, e gravamos dois CDs: República das Letras e Cidade das Palavras,que mostram a diversidade criativa em nossa cidade e região. A gravação, dealta qualidade técnica, foi feita pelos próprios poetas nos estúdios daFundação Cultural Cassiano Ricardo e recebeu trilha sonora especialmentecomposta por Bebeco Russo, Gabriel Russo e Gilvan Tadeu. Na ocasião foitambém produzido um documentário, de todo o making off ,por João Nicolau.Esse trabalho pode ser acessado e copiado através do site.www.cidadedaspalavras.com.br. Nesse endereço virtual existem links, blogs, eforuns de discussão que incentivam a divulgação da poesia digital, viaInternet. Em nossas planos, a curto prazo, está a produção de novos CDs depoesia e musica alternativa em maior escala, bem como a criação de uma ONGeditora que viabilize a publicação das obras dos talentosos escritoresValeparaibanos, que encontram sérias dificuldades em colocar no mercadoeditorial seus livros. Nas primeiras edições de CDs podem ser apreciadospoemas criados e gravados por Bebeco e Gabriel Russo; Mirtes Mazza Mazieiro;Marcelo Planchez; Joca Faria; Carlos Alberto Cândia; Daniela Peneluppi;Flanklim M.; Braga Barros; Simões; Zé Mira; Ludmila Saharovsky; Nadir JacobCury; Juracy Ribeiro; José Moraes; Renato Ramoore; Marcela Puppio eGeraldine Matha entre outros.Entrem, ouçam, copiem e apreciem nossa Cidade das PalavrasProdutores: Marcelo Planchez e Joca FariaMaking off: João NicolauTrilha sonora: Bebeco Russo, Gabriel Russo e GilvanTadeuEstúdio de gravação : Fundação Cultural Cassiano RicardoMasterização e mixagem: Wilson Rafael.Contato : tel: 012 - 39296879Email : joca@cidadedaspalavras.com.br,marcelo@cidadedaspalavras.com.br Www.Cidadedaspalavras.Com.br

Jul 26, 2006

Preciso de um televisor novo Pra me ensinar o que é certo e erradoPreciso de um televisor novoPra ver dum aquário a vida de sonhosDaqueles que nos esfolam o couroPreciso dum televisor novoPra descobrir “as minhas necessidades vitais”Lembrar que preciso morrer de trabalhar por um carro novoPra ter roupas de grife, puxar o saco, abaixar a cabeça por migalhasViver uma vida confortável e bestaPreciso dum televisor novoDesses de cristal líquido, tela planaPra não ver o mundo quadradoAssisti-lo retangular, esticadoArreganhado feito um rabo pra entrar até as bolasPreciso dum televisor novo AZF Casablanca

Jul 21, 2006

Amigos * Franklin M . Quero olhar pras coisasE ver o que são e o que podem serQuero tocar cada homem-mulher-criançaCompartilhar suas emoções e doresSentir o latejar de seus pulsosAcreditar num futuro improvável, mas possívelNuma fraternidade de iguais multicoloridosQuero andar sem medo pelas ruasAbraçar desconhecidos com calor- Distribuir amor e receber amor-Vencer barreiras pra encontrar-te do outro lado do rioE rir de tudo issoCom a candura de quem encontra o paraíso Franklin M.

Jul 19, 2006

Agora sim, café com pão... Os finais de semana de minha infância eram preenchidos pela expectativa deliciosa e única da aventura que seria, novamente, percorrer o longo caminho até o templo ortodoxo de Vila Alpina...de trem. Eu, linda em meu vestido de domingo, as tranças caprichosamente amarradas por grandes laços de fita de organza arrematadas por ponto de ajour, os sapatos modelo “boneca” em verniz preto (eles deixavam-me doloridas marcas nos calcanhares, que eu, estoicamente, suportava) sentava-me sempre ao lado da enorme janela por onde a manhã passava com suas caleidoscópicas imagens embaladas pela cantinela da máquina nos trilhos, como no poema “Trem de Ferro” de Manoel Bandeira: ...Ôo/ foge bicho/ foge povo/ passa ponte/ passa poste/ passa pato/ passa boi/ passa boiada/ passa galho/ de ingazeira/ debruçada/ que vontade/de cantar.../agora sim/ café com pão/ agora sim/ café com pão... Café com pão...Ah! A fome me torturava, mas, a comunhão...Lembram-se de que lá no antigamente a gente só podia comungar em jejum? Pois então! Ao meu lado crianças deliciavam-se com variadas e coloridas guloseimas enquanto eu engolia em sêco, oferecendo aquele pequeno sacrifício ao menino Jesus enquanto me distraía com a paisagem. Mais tarde, casada, não trocava por nada a viagem de férias, com minha filha pequena, ao Rio de Janeiro, feita naquelas composições cintilantes de aço inoxidável, formadas por carros-dormitórios duplos, cabine de cima, cabine de baixo, o cheiro de trem inesquecível e tão particular.... e nós deitadas, juntinhas na cama beliche, o sono chegando mansamente, o céu salpicado de estrelas, a vida sacolejando por dentro de incontáveis túneis e curvas em direção ao mar...Pela manhã, após os malabarismos para escovar os dentes naquele banheiro minúsculo de pia metálica, dando bom dia aos passageiros, todos bem dormidos e arrumados, nós chegávamos aos suburbios do Rio. O calor gostoso nos dava as boas vindas, junto com meus sogros, na estação...Então, aquele burburinho de malas e pessoas misturava-se à alegria da chegada: Oô...Vou depressa/ vou correndo/ vou na toda/ que só levo/ pouca gente/ pouca gente/ pouca gente... Na Rússia, a viagem entre Moscou e S. Petersburgo de trem, é muito concorrida, chique e sexy. A locomotiva, que parte às 23 horas é composta por inúmeros vagões de várias classes e ornamentada com brasões de latão que ofuscam a vista, de tão polidos! Os comissários de bordo, todos homens, com seus uniformes azuis escuros e galões dourados vão encaminhando os passageiros para cabines individuais. Assim que você se acomoda, surge o garçon oferecendo champagne e um sortido cardápio à escolha do viajante. A noite passa rápida entre edredons de penas, e a neve que cai vai deixando a paisagem com jeito de cenário de filme...O sono custa a chegar, pois é tão bom usufruir daquele conforto, do astral, a cantinela das rodas sobre os trilhos...a manhã nascendo lentamente...Já a travessia de Moscou ao extremo norte do País dura vários dias. As pessoas lêem, escrevem, dormem, fazem as refeições, conversam nos corredores e nos vagões restaurantes...A travessia é muito mais instigante, agradável e cômoda do que de avião. Aliás, na Europa inteira viaja-se muito de trem. É cômodo. É econômico. Você descansa, cochila, relaxa. Conhece melhor a região, curte a paisagem, faz novos amigos, medita. São países civilizados, com outros hábitos e costumes. O trem é uma opção muito procurada e utilizada. Diferente daqui, onde antigos vagões viram sucata ou saudosas lembranças de um Brasil que só conhece estradas rodoviárias mal conservadas e empresas aéreas á beira da ruína...(Ludmila Saharovsky)
O Aleph azul de Borges Por Bárbara Lia Deixastes aqui teu coração - Aleph azul povoado de tigres brancos e miragens, que pulsa como esta Milonga Del Angel, nesta primavera desprotegida - acordes de Piazzola – Nuvens brancas a acenar certezas: teu coração Aleph azul permanece – no suave ritmo del sul. Deixastes um Livro de Areias - tu’alma - nós todos virando páginas deste deserto metafísico - noturno e trágico - que leva à aurora nítida do reino da poesia. Deixastes aqui teu coração, Aleph onde trafegam signos vários, e mesmo que tenhas imprimido sonhos em grego, sânscrito ou aramaico, deciframos – em alfa – tuas mensagens de estrelas. És um vaso vazio de segredos, pleno de sóis & luas & signos da nobreza, em uma azul sinfonia que teces entre seus dedos, enquanto apontas: A eterna água, o ar eterno, flanando em um vale de sombras e a inscrição brilhante com fios de ouro - não existe tempo – Guardiões do impossível levamos ao pescoço a ampulheta como homens-bombas explodindo a vida, sem seguir teus passos-acordes. Cegos, não percebemos, a inutilidade da areia que cai em conta-gota, teu coração quer nos gritar isto - Aleph azul que guarda segredos rojos. Alguns o folheiam em prece, como anjos. Eu o folheio, deslumbrada, com a mesma cálida e reverente ternura com que olhava abismada a estrela Vésper. Azul como teu Aleph coração. Seta e sinal em meu caminho: A estrela Vésper e o Aleph azul de Borges. Bárbara Lia é professora de História e Escritora. Publicou poemas no jornal Rascunho, Fenestra, Garatuja, Mulheres Emergentes, Revista Etcetera, Revista Coyote, Ontem choveu no futuro. - na Internet - Revista Zunái, Germina Literatura, Cronópios, Blocosonline, Editora Ala de Cuervo, entre outros. Finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2.004, com o romance - Cereja & Blues, e 2005 com o romance – Solidão Calcinada. Publicou o livro de poesias – O sorriso de Leonardo – Kafka edições baratas. Até o final de 2.006 a LUMME EDITOR lançará o livro DE POESIAS ‘O SAL DAS ROSAS’ .

Jul 17, 2006

Por que é preciso matar a arte para ser aceito? Por que é preciso rasgar as palavras Pra ter o direito de ser ouvido? Pra que ter olhos quando não se pode olhar para os lados? Os sapatos sempre bem engraxados Escondem a lama engastada nas solas A alma confinada numa gravata quer gritar O coração na garganta bate envergonhado Pra não ser escutado Em soluços, meu espírito arqueja Sobre dúvidas: - Que caminho certo é esse onde não me encontro? E a vida vai se tornando Um sorriso de dentes brancos postiços Tão bela e superficial quanto um comercial de televisão Azf Casablanca Aqueles q possuem paciência suficiente pra ler os meus rabiscos diários, podem conferi-los, quando não chegarem por email pelo blog: http://spaces.msn.com/members/franklinm Visitem, deixem lá suas opiniões e sejam felizes Paz Profunda

Jul 5, 2006

Joca, tenho necessidade de escrever. escrevo todos os dias. É a minha maneira de ser. Em Goiás eu lancei dois livros: Retalhos de Outono - poesia concretista. E o livro Desertos - orações em forma de poesia. O lançamento foi durante o FICA - Festival Internacional de Cinema Ambiental, na cidade de Goiás. Tive o patrocínio da Prefeitura Municipal de Goiás. Foi ótimo! A edição ficou esgotada em uma semana. Votar!!! Eis a questão. Eu estou procurando um candidato que se enquadre no meu perfil de Presidente... nem que seja uma pequena porcentagem. Aguardo! Agora com o Brasil perdendo o Hexa haverá mais seriedade, então poderemos decidir em quem votar! O Centro Oeste é bom!!! O melhor foi descobrir que amam Cassiano Ricardo por lá. Dão a ele um enorme valor como escritor e político. Vi documentos e ouvi relatos a respeito de um Cassiano Ricardo mudancista que raramente eu encontrei por aqui. O Verdeamarelismo ecoa no coração do Brasil e um dos expoentes é Cassiano Ricardo. Cora Coralina é um ícone nacional. Ana Lins Guimarães Peixoto Bretas é uma cidadã vilaboense. Há uma diferença. Mas... que viva a diferença. Cora usa as mesmas metáforas drumondianas - a pedra e a flor. Só passeando pelos becos de Goiás podemos entender Cora. Eu ás vezes saio a noite para percorrer os caminhos da poetisa. Até mesmo decidi morar no Beco do Cisco - o primeiro que ela cita no poema dos Becos de Goiás. É encantador... Estudei Cora Coralina durante esses tres ultimos anos. Li seus manuscritos, fotografei seus documentos, falei com seus conhecidos, encontrei raridades. cada vez que me aprofundo mais em Cora mais vejo coias a desvendar... Aproveitei para me especializar em arqueologia, ainda estou estudando... e sei que será assim para o resto da vida. Gosto e muito de Goiás, já conheci quase todo o estado e outros vizinhos, mas sou apaixonada por São José dos Campos, nada se compara com essa cidade. Aqui é meu lugar, fico alguns meses lá pesquisando e participando da parte Cultural - sou Ditretora Cultural do FarriCora - um grupo de artes cênicas vilaboense - e alguns bons meses aqui no meu apartamento em SJC. Escrevi muitas cronicas para o jornal Valeparaibano sobre os "causos" de Goiás durante esses anos. Divulgando a região centro-oeste. Precisamos divulgar mais os escritores joseenses e incentivá-los a escrever. O Brasil precisa de Homens e Livros, pois só assim cresce a nação! Um abraço da Rita Elisa Seda

Jul 3, 2006

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS 1998- Entrevista POESIA EM DISQUETE- O poeta Edu Planchêz surge com uma novidade que merece atenção. Ele lançou seu último livro, "Cidade Neon", em disquete de computador. É a primeira vez que vejo um livro de poesia ser comercializado desta forma. Tenho dúvidas quanto à eficiêcia do meio. Pouca gente tem computador e os que têm sabem que a tela de computador não é o melhor suporte para a leitura. Mas é uma tentativa que deve ser feita. Se João Gilberto faz sucesso há quarenta anos cantando um samba chamado "Desafinado", por que as pessoas não poderiam gostar de literatura em disquete? O que a princípio parece estranho, pode ser a chave da porta que dá para o jardim florido. UMA PEQUENA ENTREVISTA- ImpossÍvel não pensar em Jorge Mautner quando se olha a poesia e a persona de Planchêz. Há algo de caótico, caleidoscópico na sua escrita. Há uma mistura de vida e literatura, que Allen Ginsberg fez divinamente. Suas performances trazem a aura de um ser humano que trilha o caminho da liberdade. Eis a pequena entrevista dada pelo poeta via fax: Paulo Nubile - Edu, você lançou recentemente um livro de poesias em disquete. Você acredita que esta seja uma saída para os escritores veicularem seus textos? Edu Planchêz - O que você acha!?!?!? No momento o disquete está sendo a minha nave-mãe. A minha vulcânica poesia tem que ser devorada e devorar as pessoas aqui e agora. "O futuro é hoje e cabe na mão!" O imperador poeta Torquato Neto sabia o que estava dizendo, e eu saquei isso. Nubile - Como fica o direito autoral? Um disquete pode ser facilmente copiado. Planchêz- Um livro também; eu já xeroquei tantos! Preciso de dinheiro, mas esse não é o centro da minha aventura humana. Quero mais que as pessoas copiem mesmo. Que se dane esse sistema capitalista !! Estou incendiando o mundo com o fogo das Rosas. Nubile - Você pensa em acoplar essas novas tecnologias ao seu estilo performático? Planchêz - Eu penso tanta coisa e não penso nada; não sou um gozo estético. Adoro a alta tecnologia cibernética, mas não dispenso a fogueira dos Xavantes ... Aliás, eu sou uma fogueira e ao mesmo tempo uma tromba d'água. Nubile- Como tem sido a aceitação do livro em disquete? Você pensa em%2