Sep 25, 2015


Boa tarde Ezra Pound no Abc da literatura na pagina 156.
Nos diz

Os grandes sábios,quase sempre, não tomam conhecimento das
tolices da classe professoral.

Agora retomo a minha leitura. Que ler é conhecimento e
conhecimento liberta.



Ezra Pound – Poemas Traduzidos
Hugh Selwyn Mauberley (trecho)
ENVOI (1919)
Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz
Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.
Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.
(Ezra Pound, tradução de Augusto de Campos)

Jun 21, 2015

Alberto Andrés Heller


O S I L Ê N C I O NO ESPELHO  poesias 


1

Viagens...
Dunas movediças
Aves migratórias
Idas sem volta Voltas sem ida Tempo e espaço enjaulando os leões Cinco anos esperando pelo trem para ir de uma ponta à outra do exílio Para ir de um lado ao outro da cama O sono já não tarda A noite goteja A vasilha transborda

2

Vozes Silenciei e ouvi : ouvi o silêncio, que era ensurdecedor. E ele dizia coisas estranhas. Muito estranhas...

3

Vida Ano após ano Mês após mês Dia após dia Hora após hora: Continuamos E nos repetimos, Refeição após refeição Sono após sono Coito após coito Na doce inconsciência Da rotina Na feliz tranqüilidade De quem acha que o que foi feito Era importante e necessário


http://www.albertoheller.com.br/?q=cG09bGl2cm9zMjhzbGRoM2w=

FENOMENOLOGIA DA EXPRESSÃO MUSICAL Alberto Andrés Heller Editora Letras


Contemporâneas, 2006 Apresentação O termo fenomenologia designa um movimento filosófico iniciado por Edmund Husserl (1859-1938) na Alemanha, movimento que viria a incluir pensadores como Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty e muitos outros. Como se depreende da própria palavra, trata-se do estudo dos fenômenos – mais especificamente, um retorno aos fenômenos (a máxima de Husserl será „retornar às coisas mesmas‟), o que significa discutir as bases de nosso conhecimento. Quais são os fundamentos de nossa experiência? E como falamos da experiência? Até que ponto distinguimos a experiência da idéia de experiência (ou o fenômeno de sua representação)? Nesse retorno às coisas mesmas, mesmo o cientificismo deve ser questionado – as representações científicas segundo as quais eu sou um momento do mundo costumam ser ingênuas ou hipócritas, porque elas subentendem, sem mencioná-la, uma outra visão, aquelas da consciência, pela qual antes de tudo um mundo se dispõe em torno de mim e começa a existir para mim. Retornar às coisas mesmas é retornar a este mundo anterior ao conhecimento do qual o conhecimento sempre fala, e em relação ao qual toda determinação científica é abstrata e dependente. O livro de Alberto Heller não se propõe a fazer uma fenomenologia da música, mas da experiência musical, o que se dá não através de uma perspectiva psicológica, mas filosófica. Questiona-se, aqui, o que normalmente é tido como evidente; se os livros de técnica instrumental discutem a melhor maneira de se mover o corpo, a preocupação fenomenológica coloca em discussão o próprio movimento, o corpo e o pensamento, bem como suas inter-relações. A maior parte das pesquisas musicais voltadas à prática instrumental e interpretativa vem resultando na criação de “métodos”: como aprender a tocar o instrumento „x’ ou „y’ melhor e mais rapidamente (como ironiza Cage, “hoje podemos ir rapidamente de um canto ao outro do planeta; o que temos que nos perguntar porém é: queríamos afinal ter ido para lá?”). A facilidade dos meios nos fez esquecer ou 2 confundir os fins. Fala-se em „técnica‟ subentendo-se um meio rápido e eficaz para alcançar um objetivo, e nessa separação entre meio e objetivo estabelece-se uma relação de causa e efeito implícita na mentalidade de reprodução; nessa mentalidade, o fim do fazer é o produto. Muitas vezes, a educação procura fugir dessa mentalidade de produção e reprodução, deslocando a ênfase do produto para o produtor, da criação para o criador. Mas, mesmo nessa aparente “humanização”, encontra-se ainda implícita a mesma mentalidade, baseada na causalidade e na reprodutividade. Heidegger, em suas últimas obras, aprofunda o conceito de técnica, chamando nossa atenção para o fato de que, na história do pensamento grego, esse termo recebe diferentes acepções: numa delas temos o significado hoje popularizado, de meio eficaz para um fim (a mentalidade de reprodução: a técnica nos possibilitando o acesso a um produto - uma ação com um fim); noutra, porém, o termo técnica não se refere a um fazer, mas a um deixar acontecer, um „deixar aparecer‟ (encontra-se uma idéia similar no pensamento oriental nas noções de „não-ação‟ ou „inação‟). Segundo Heidegger, “enquanto insistirmos em representar a técnica como um instrumento, ficaremos presos à vontade de querer dominá-la, e todo nosso empenho passará por fora da essência da técnica”. Aparentemente, o pianista faria seus dedos se moverem para produzir música, o bailarino faria seu corpo se mover para haver dança, o orador faria seus lábios se moverem para falar. A ação, transformada em meio para se alcançar algo, torna-se objeto da vontade, comando ditado por um sujeito. Mas não é isso o que experienciamos no dia-a-dia: o orador não fica pensando palavra por palavra antes e durante a fala; o bailarino, enquanto dança, não fica dando ordens ao seu corpo do tipo „levante a perna, dobre o braço, sorria, pule‟, nem o pianista dando ordens aos seus dedos enquanto toca. O pianista toca esquecido de seus dedos, o bailarino dança esquecido de seu corpo, o orador fala esquecido de seus lábios. A ação expressiva é, portanto, de outra ordem que a ação volitiva. Numa, meu corpo se move; na outra, faço meu corpo se mover. Na expressão temos ação ao invés de operação. Na operação (na técnica de senso comum) teríamos um sujeito (uma consciência) que opera seu corpo (corpo dado como massa inerte à mercê de um indivíduo que o comanda) em função de um 3 determinado objetivo. Essa operação técnica prevê, portanto, um mecanismo de causas, meios e fins: um sujeito usa um corpo que usa um instrumento que produz um som que produz uma música que atinge um ouvinte. Mas tal separação entre expressão e expresso, sujeito e objeto, consciência e corpo, meios e fins não condiz com o que vivenciamos na ação. O corpo não é uma “massa inerte”; a consciência não é autosuficiente nem a expressão um “conteúdo a ser transmitido a alguém”. É certo que posso mover meu corpo, mas também é certo que o corpo se move (é movido e movente); há uma motricidade espontânea que coordena meus movimentos independentemente de uma ordem ou comando, razão pela qual dizemos que esse corpo é um corpo motriz. Ao voltar às coisas mesmas, a fenomenologia dá voz à experiência muda que, não obstante as palavras, jamais abandonamos. A experiência musical, antes de ser um saber, é uma vivência, que é o tema por excelência da fenomenologia. Através das noções fenomenológicas de intencionalidade, corpo-próprio, esquema corporal, expressão e tempo vivido (citando apenas alguns exemplos), espera-se, nesta obra, poder chegar aos fundamentos da ação musical. O livro Fenomenologia da expressão musical é constituído de oito capítulos: 1. Do objeto musical 2. Ritmo e metro: espacialização da experiência musical 3. Ritmo e motricidade 4. Motricidade e expressão 5. Expressão e temporalidade 6. A desconstrução da representação do corpo-próprio na experiência musical: a questão da técnica 7. A percepção do corpo-próprio e a redescoberta do tempo vivido: a questão do ritmo 8. A compreensão do tempo vivido e a expressão musical: a questão da interpretação

Feb 20, 2014

João Carlos Faria

Filetar-se com o poder

Dedicado aos que já morreram em vida.

A cidade se degusta e se provoca se esfaqueia. Artistas se despregam da vida programada.
E lançam-se ao Abismo da vida.
Tantas derrotas. Tantas pontes e não puladas.
A vida rasgadas em utopias e em silencio.
Quanta gente vitoriosa e perdedora.
Diante de tanta utopia.
Quantos livros livros. Quantas ideologias em nossas cabeças.
E GRITA o Rei corte a cabeça.
E o sistema se faz perverso.
Se faz amante.
Filetar-se com o poder. E não se ganha nada.
E alguns perdem em moedas de ouro.
Na tentação do desgoverno. E no flerte com a corrupção.
Almas danadas no inferno de ausência de consciência.
Mensageiros da desesperança.
A cidade se degusta e se provoca se esfaqueia.
A cidade sedenta de poder.
E nada tem além de ódio. Violência e desamor.
Corações em pedra.
Vida sem arte, sem fé.
E o velho ator da adeus numa cama fria de hospital.
E a cidade diz merda a ele.
E o palhaço esquecido.
E as favelas … E a cidade esquecida em suas periferias.
A cidade se degusta e se provoca se esfaqueia.
Aos poetas e dado a la pede do esquecimento.
E crava-se no peito a estaca no sangue de vidas perdidas.
De um incrível exercito de loucos.
Irmandades das desesperança.
Sem fé.


Joka  

Jul 7, 2011

Não sou.Deixo de ser. Quem mais? Não ser ou ser. Não me faz. JOKA joão carlos faria

Oct 12, 2008

A INSURREIÇÃO ? Joca Faria Eita domingo bem suave para quebrar o gelo assisti ao filme A EXPERIENCIA de OLIVIER HIRSCHBIEGEL baseado no livro Black Box de Mario Giodanot sim um filme pesado , mas ao contrario de muitos que tento ver e acabo desistindo este é muito bem construído é uma experiência para ver até o onde o homem pode chegar...É duro ver uma parte de nós em cada um daqueles personagens. Ali mostram às pressões sociais as mesmas que sentimos na pele em nossas vidas sociais. Sejamos nos executivos, simples trabalhadores. Lembrei-me dos realities shows ao ver este filme onde tudo era controlado e mesmo assim perdeu-se o controle de tudo acontecendo o obvio... A insurreição... Quero ver de novo ultimamente quero ver todos os filmes de novo acredito que livros, filmes são como poemas quando bons são inesgotáveis , mas quando ruins descartáveis. Acredito que não há artista que não erre a mão...Mas o cinema brasileiro do momento a muita gente ruim mas é o risco das leis de incentivo. Acredito que muita quantidade gere qualidade. E só aprender a saber pesquisar mas de bons poetas estou cercado como um belo poema da Zenilda Lua que acabo de ler. Salvou-me o domingo e tira-me a ilusão de eu voltar a escrever poemas quem sabe um dia volto a esta simplicidade que é um belo poema. No momento curto as nossas sacerdotisas da poesia só as mulheres tem sensibilidade feminina. Podem contar seu universo de muitas maneiras discordo de Marçal Aquino que numa palestra disse que não existe literatura feminina existe sim...A mulher é outro ser nas qualidades e defeitos. A mulher que fez o principal personagem do filme que acabei de ver resistir Ás torturas daquele laboratório prisão... Ainda bem que esta cidade vivemos cercados de fortes mulheres poetas. Meu lado torto imaginou um filme deste onde homens e mulheres dividiriam as celas o que seria uma experiência desta doze casais numa ilha por um ano vivendo sozinhos e sendo filmados não imagino o que se daria ali ,mas deixo a idéia no ar quem sabe um bom roteirista um dia elabore algo neste sentido mas espero que não seja um roteiro sado masoquista. A humanidade é uma grande experiência do universo. Mas quem ou oque está no comando desta experiência? Isto fica como assunto dos próximos escritos ,mas a algum filosofo ou profeta que desvendou os segredos dos Deuses? No mais to indo e estou aqui enquanto o universo permitir...Como na novela da Record que vocês sIgam seus Caminhos do Coração...beijos...beijinhos tchau tchau.... João Carlos Faria Mundo Gaia Literatura, filosofia e arte www.mundogaia.com.br (sem título) Encosto-me cativa nesta ponta aguda e urgente que se diz: TAMANHO DO MUNDO vôos internos de exclamação amolecem a pedra que escorre viva fio tênue fazendo desenhos de cárcere aberto, papoulas e nuvens enfermas (igualmente fiel). Sobra água nos meus olhos terra enquanto feira de lírios-poema condensa a gratuidade do céu de São José. consumação Quando chegar o alumiar da penúltima vez tomarei tuas pálpebras como véu e beijarei teu peito, dorso, dedos e os cabelos de sal. Aberta às dores secarei, igual matiz que nasce infértil. e me afastarei silenciosa feito catedral que geme solitária em véspera de festa... (Zenilda Lua)

Oct 5, 2008

Salvemos a nos mesmos salvando a Serra da Mantiqueira.... Joca Faria E por aqui o óculos embaçado a cabeça doendo mesmo depois de quarenta gotas de dipirona e uma vontade de cantar meu amor a você que me lê...Eu te amo tanto quanto me amo...Tenho feito novas amizades virtuais...Belas mulheres inteligentes...Ouço uma rádio de Jazz...Leio a biografia de Nilze da Silveira...E na avenida de idas e vindas aquele barulho de fogos de artifício neste domingo eleitoral... Descanso no Domingo feliz... Caminho como criança até a padaria na rotina do pão nosso... Estomago cheio de frango assado... Cabeças descansando na virtual tela ... E este Jazz que me relaxa... Já não quero impor minhas idéias... Mas acredito que devemos reflorestar a Mata Atlântica estou de frente ao Rio Paraíba do Sul... Ele corre em linha reta a uns cinco quilômetros de minha casa e ao fundo a encantadora e misteriosa Serra da Mantiqueira com sua doce energia esperando que o homem a refloreste... Para que uma serra pelada? Gosto de ver as mulheres nuas , mas não a Serra da Mantiqueira .... A ssserra de tem que se revestir de mata assim eu peço assim Sebastião Salgado pensa e lá no Norte das Minas Gerais refloresta uma antiga fazenda de sua família... Ele poderia estar em qualquer canto deste planeta ...Mas ta lá plantando arvores... Porque estes condomínios verticais que surgem aos montes em nossas cidades já não são construídos com estações de esgoto podiam ter incentivos fiscais... E apoio ao financiamento... Cadê a classe política e os ambientalistas? Não sei de ninguém só sei de mim só sei de mim viva os Secos e Molhados... Esta nova geração curte o Teatro Mágico a proposta deles me encantou ... Mas o som ainda não me seduziu... Ainda prefiro os Secos e Molhados com a ousadia ainda em pleno vigor... Quem sabe um dia vejo mais um show de Nei Matogrosso... Salvem a mata atlântica salvem a nós mesmos... Nossas águas estão contaminadas, nossos ares também será que é por que já não temos nenhuma espiritualidade? Voltemos a nós ligar ao nosso ser... Nosso ser divido que habita em nosso corpo em nossa igreja. Somos o embrião de anjos e cada vez mais nos endemoniamos mais viramos demônios, anjos sem luz... Poesia acenda nossa chama sagrada cadê Prometeu para nos trazer novamente o fogo...Como diria Vanessa Alves ....Humanidade Socooorrroooo....Volto ...ao mundo e percome-me neste labirinto...QUANDO veremos os anjos? Vou me estou cansado... Que os anjos iluminem e nos traga o amor... perdido....Humanidade Socorroooooooooooo João Carlos Faria Editora Mundo Gaia www.mundogaia.com.br www.entrementes.com.br

Jun 18, 2008

Uma noite infernallll...llll Joca Faria O texto que vou tentar escrever neste momento é a mistura de experiencias vividas com um pouco de invenção. Não conseguirei relatar com fidelidade pois não foi fácil...Aconteceu num tempo e espaço indefinido na minha cidade natal..Paraisópolis, Minas Gerais...Como em outros sonhos já recorrentes tentava eu chegar a uma velha fazenda que é a da família mas onde nunca pus os pés... No sonho eu era um misto de homem e demônio...uma dúbia identidade algo bem sinistro estava entre a vida e a morte...num dos momentos vi um velório e quem estava sendo velado era eu mesmo...eu havia morrido neste sonho...já não achava que voltaria para contar esta história a quem quiser lela...não foi fácil hoje ao acordar precisei sair de casa um pouco bater um papo ler um jornal...Ontem ao chegar em casa depois de uma palestra que organizara e um bom bate papo num café a luz estava apagada o fuzil havia queimado. Cobri os passarinhos escovei os dentes e fui dormir deveria ter rezado antes...pois foi uma longa e tenebrosa noite entre homens e demônios... Os fatos não estão seqüências na cidade tentava chegar a fazenda de taxi, trem e apé...todo mundo era bem estranho estava sendo perseguido por gente muito estranha...mudei de dimensões varias vezes...nunca fui lá só cheguei uma vez numa pequena capela abandonada...mas voltei pois era velório de meu avo materno na cidade...este lugar é chamado de bairro da Lagoa...a uns trinta quilômetros da cidade...eram seres estranhos mas obtive ajuda de dois amigos ...adentrei a este inferno e voltei quase ileso... nem tão ileso assim, mas vamos retomando a vida...pois ela se faz em vários planos... Agora bem mais tarde estou mais tranqüilo...aos poucos tentarei interpretar mas é duro se ver um demônio ou ex demônio...provoquei muita ira fugi desesperado...pela cidade entrei em trens que já não existem...mas agora passou...deixo as impressões para outros textos. Estou aqui bem vivo? Vamos em frente... João Carlos Faria